HORA CERTA

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Eles me prenderam simplesmente porque eu sou negro, diz médico preso arbitrariamente

Marrapá
Em entrevista ao Maranhão da Gente, o médico Kinglsley Ify Umeilechukwu, preso na última segunda-feira (25) acusado de exercer ilegalmente a medicina e cometer homicídio, afirma que a sua prisão foi orquestrada com o propósito de esconder as péssimas condições da saúde pública do estado do Maranhão.
Inocente, médico diz que foi vítima de racismo
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“Queriam esconder que menina morreu porque não tinha vacina no posto médico. E está tudo documentado”, afirmou ele.
Responsabilizado pela morte de uma criança portadora de raiva, na cidade de Mirinzal (MA), Kinglsley comprovou que não teve qualquer relação com o tratamento da vítima e alega que foi impedido de se explicar por preconceito das autoridades.
“Eles me prenderam simplesmente porque eu sou negro [...] Eu não era o médico responsável, estava lá apenas acompanhando o verdadeiro médico responsável. O grande problema é a cor da minha pele. Tudo isso foi orquestrado para me prejudicar”, afirmou.
De tão absurdo, o caso foi parar na Assembleia Legislativa do Maranhão, ontem (27), quando o deputado governista Edilázio Júnior (PV) subiu à tribuna para criticar a postura preconceituosa secretários de estado da Saúde, Ricardo Murad, e da Segurança, Aluísio Mendes, pela prisão do médico.
Cunhado da governadora Roseana Sarney (PMDB), Ricardo Murad foi o primeiro a se pronunciar sobre o caso do nigeriano. Nas redes sociais, o secretário de Saúde fez estardalhaço, acusando Kinglsley de exercício ilegal da profissão e de ser o responsável pela morte da criança.
Secretário de Saúde acusa nigeriano de homicídio e exercício ilegal da profissão
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Horas depois, em entrevista coletiva na sede da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, foi a vez do desmoralizado secretário Aluísio Mendes “elucidar” o caso do “falso-médico”, exibindo o nigeriano como troféu e deixando escapulir que a prisão arbitrária foi motivada pela denúncia de Murad.
“Nós fomos procurados pela Secretaria de Saúde devido ao óbito de uma criança de 4 anos, em função de atendimento incorreto por um pseudo-médico, que foi preso em flagrante por exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica”, disse.
O fato é que o médico comprovou que é médico com diploma validado no Brasil. E a Saúde e a Segurança no Maranhão colocando a culpa no “garçom”, mais uma vez, demonstram seu alto nível de incompetência.

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